BCE mantém juros em 2,5% com inflação em alta e Lagarde antecipa saída
Decisão segue as expectativas do mercado, com inflação da zona do euro em 3,8% e energia pressionando preços. Lagarde deixará a presidência em fevereiro de 2027.
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE CNBC · 2 MIN

O Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2,5%, em linha com o que o mercado esperava, segundo a CNBC. A decisão chega em um momento em que a inflação da zona do euro subiu para 3,8% no mês passado, o maior nível desde setembro de 2023, o que coloca a instituição diante de um dilema entre conter preços e sustentar a atividade.
O último movimento foi uma alta de 25 pontos-base em setembro. Desde a reunião anterior, segundo a CNBC, as condições de financiamento ficaram mais restritas. No comunicado, o banco destacou a inflação subjacente estável e os salários estáveis.
A pressão vem em grande parte da energia, cuja inflação chegou a 18,8%, com a turbulência no Oriente Médio citada como fator. Ainda segundo a CNBC, o BCE vê riscos de alta para a inflação, ligados à energia, e riscos de baixa para o crescimento, o que deixa a instituição sem um caminho simples de aperto ou de alívio.
O anúncio de que Christine Lagarde, de 70 anos, renuncia à presidência do BCE foi feito na quinta-feira, 29 de outubro, segundo o Estadão, e antes da decisão de juros do mesmo dia, de acordo com o Times. Lagarde deixará o cargo em 7 de fevereiro de 2027 e comanda a instituição desde julho de 2019. O comunicado foi enviado ao Conselho de Governadores, e os motivos da saída não foram detalhados.
O mandato iria até 31 de outubro de 2027. Segundo o Estadão, a saída antecipa esse prazo em nove meses, enquanto Oeste e Times falam em oito. Ainda de acordo com o Estadão, a antecipação permite escolher o sucessor antes das eleições presidenciais francesas de 2027. Segundo o Oeste, o sucessor será escolhido pelo Conselho Europeu.
O que muda para o investidor
Para quem acompanha juros e bolsas, o quadro combina taxa mantida em 2,5%, inflação de energia em nível elevado e um banco central que enxerga riscos em direções opostas. Nesse cenário, o mercado tende a considerar juros altos por mais tempo, o que costuma pesar sobre ativos sensíveis a taxas e sobre empresas que dependem de crédito. A troca na presidência adiciona uma variável que o comunicado não esclareceu. Vale acompanhar os próximos dados de inflação e de energia, que devem indicar se o BCE mantém a postura atual.


