Restaurantes do Reino Unido veem com ressalvas fim de tarifas e pedem alívio em impostos e folha
Remoção de tarifas sobre mais de 100 produtos barateia alho e pepinos, mas donos de restaurantes cobram cortes de impostos e menos custo com salários
POR REDAÇÃO THE X-TRADER NEWS · COM INFORMAÇÕES DE BBC BUSINESS · 3 MIN

Alho, pepinos e leite vegetal estão entre mais de 100 produtos que devem ficar mais baratos no Reino Unido com a remoção de tarifas de importação anunciada no Orçamento, segundo a BBC Business. O Tesouro britânico calcula que a medida economize para uma família típica cerca de £21 por ano na conta de alimentação. O valor é modesto, mas a discussão vai além dele: o governo optou por aliviar insumos e produtos importados, e não os encargos sobre a folha de pagamento, que é justamente o ponto levantado por parte do setor.
Nem todos os empresários de restaurantes receberam a medida com entusiasmo. Alguns questionaram o efeito real sobre o próprio negócio e defenderam que cortes no VAT, o imposto sobre o valor agregado, ou mudanças que barateiem a contratação de funcionários teriam ajudado mais. A divergência, portanto, é menos sobre a direção da política e mais sobre a escala do alívio.
Morgan Austin, gerente de operações da rede Burgerism, afirmou que a retirada das tarifas sobre pepinos foi uma boa notícia. A empresa tem seis unidades principais e abriu a primeira em Salford, em 2018. Austin, de 26 anos, disse que gostaria de ver apoio mais significativo ao setor de hospitalidade, incluindo uma redução do VAT.
O problema apontado por ela é o custo fixo. Segundo Austin, os aumentos do salário mínimo e das contribuições patronais ao National Insurance, feitos após o Orçamento anterior, custaram à Burgerism cerca de £150 mil por ano. Para ela, o valor é “um golpe grande” em uma empresa que não é enorme, e esse dinheiro poderia financiar uma nova unidade, com mais vagas para jovens.
Austin também afirmou que as medidas não foram longe o bastante para médias empresas que querem crescer. Nesse ponto, a crítica não é ao corte de tarifas em si, mas ao desenho geral do pacote, que, na visão dela, deixou intactos os custos que pesam sobre quem já opera e pretende se expandir.
Pela ótica liberal que orienta este jornal, o caso sintetiza uma escolha de política fiscal: aliviar preços de insumos por meio de tarifas ou reduzir encargos que incidem sobre a contratação e o consumo. Tarifas são um alívio pontual, que pode ser revertido por outra decisão de governo. Encargos trabalhistas são um custo permanente para quem gera emprego. A reportagem da BBC não traz dados sobre o impacto fiscal de cada alternativa, o que deixa essa comparação em aberto.
O que muda para o investidor
A reportagem não cita empresas de capital aberto nem indicadores de resultado do setor, então não há base para estimar efeito direto sobre ações de redes de restaurantes ou de alimentos. O ponto que merece atenção é o peso relativo das linhas de custo. A redução de tarifas afeta insumos específicos, enquanto aumentos de salário mínimo e de contribuições patronais são despesas recorrentes que a empresa paga todo mês. Quem analisa esse tipo de negócio costuma olhar a margem operacional e a evolução da folha antes de dar peso a alívios pontuais em insumos. Este texto não é recomendação de compra ou venda de ativos.


